A desumanização, Valter Hugo Mãe
2017/05/12
2017/03/01
"(...) Dessa maneira, a ordem "flutua na desordem", como se expressa Prigogine, embora a entropia global continue aumentando de acordo com a segunda lei. (...) Na nova ciência da complexidade, que tira sua inspiração da teia da vida, aprendemos que o não-equilíbrio é uma fonte de ordem. Os fluxos turbulentos de água e de ar, embora pareçam caóticos, são na verdade altamente organizados, exibindo complexos padrões de vórtices dividindo-se e subdividindo-se incessantes vezes em escalas cada vez menores. Nos sistemas vivos, a ordem proveniente do não-equilíbrio é muito mais evidente, manifestando-se na riqueza, na diversidade e na beleza da vida em todo o nosso redor. Ao longo de todo mundo vivo, o caos é transformado em ordem."
A teia da vida, Fritjof Capra
Cap. VIII, Estruturas dissipativas
2017/02/25
“O que torna possível converter a abordagem sistêmica numa ciência é a descoberta de que há conhecimento aproximado. (…) Isso pode ser facilmente ilustrado com um experimento simples que é, com frequência, realizado em cursos elementares de física. A professora deixa cair um objeto a partir de uma certa altura, e mostra a seus alunos, com uma fórmula simples de física newtoniana, como calcular o tempo que demora para o objeto alcançar o chão. Como acontece com a maior parte da física newtoniana, esse cálculo desprezará a resistência do ar e, portanto, não será completamente preciso. Na verdade, se o objeto que se deixou cair tivesse sido uma pena de pássaro, o experimento não funcionaria, em absoluto.
“A professora pode estar satisfeita com essa “primeira aproximação”, ou pode querer dar um passo adiante e levar em consideração a resistência do ar, acrescentado à fórmula um termo simples. O resultado – a segunda aproximação – será mais preciso, mas ainda não o será completamente, pois a resistência do ar depende da temperatura e da pressão do ar. Se a professora for muito rigorosa, poderá deduzir uma fórmula muito mais complicada como uma terceira aproximação, que levaria em consideração essas variáveis.
“No entanto, a resistência do ar depende não apenas da temperatura e da pressão do ar, mas também da convecção do ar – isto é, da circulação em grande escala de partículas de ar pelo recinto. Os alunos podem observar que essa convecção de ar não é causada apenas por uma janela aberta, mas pelos seus próprios padrões de respiração; e, a essa altura, a professora provavelmente interromperá esse processo de melhorar as aproximações em passos sucessivos. “Este exemplo simples mostra que a queda de um objeto está ligada, de múltiplas maneiras, com seu meio ambiente – e, em última análise, com o restante do universo. Independentemente de quantas conexões levamos em conta na nossa descrição científica de um fenômeno, seremos sempre forçados a deixar outras de fora. Portanto, os cientistas nunca podem lidar com a verdade, no sentido de uma correspondência precisa entre a descrição e o fenômeno descrito. Na ciência, sempre lidamos com descrições limitadas e aproximadas da realidade. (...)”
“A professora pode estar satisfeita com essa “primeira aproximação”, ou pode querer dar um passo adiante e levar em consideração a resistência do ar, acrescentado à fórmula um termo simples. O resultado – a segunda aproximação – será mais preciso, mas ainda não o será completamente, pois a resistência do ar depende da temperatura e da pressão do ar. Se a professora for muito rigorosa, poderá deduzir uma fórmula muito mais complicada como uma terceira aproximação, que levaria em consideração essas variáveis.
“No entanto, a resistência do ar depende não apenas da temperatura e da pressão do ar, mas também da convecção do ar – isto é, da circulação em grande escala de partículas de ar pelo recinto. Os alunos podem observar que essa convecção de ar não é causada apenas por uma janela aberta, mas pelos seus próprios padrões de respiração; e, a essa altura, a professora provavelmente interromperá esse processo de melhorar as aproximações em passos sucessivos. “Este exemplo simples mostra que a queda de um objeto está ligada, de múltiplas maneiras, com seu meio ambiente – e, em última análise, com o restante do universo. Independentemente de quantas conexões levamos em conta na nossa descrição científica de um fenômeno, seremos sempre forçados a deixar outras de fora. Portanto, os cientistas nunca podem lidar com a verdade, no sentido de uma correspondência precisa entre a descrição e o fenômeno descrito. Na ciência, sempre lidamos com descrições limitadas e aproximadas da realidade. (...)”
A teia da vida, Fritjof Capra
Cap. III, Teorias Sistêmicas
2017/02/15
"(...) aqueles peixes bonitos que vês dentro dos aquários pequenos, sabes que têm uma memória de uns segundos, três segundos, assim. é por isso que não ficam loucos dentro daqueles aquários sem espaço, porque a cada três segundos estão como num lugar que nunca viram e podem explorar. devíamos ser assim, a cada três segundos ficávamos impressionados com a mais pequena manifestação de vida, porque a mais ridícula coisa na primeira imagem seria uma explosão fulgurante da percepção de estar vivo."
A máquina de fazer espanhóis, Valter Hugo Mãe
Cap. XXI, Precisava deste resto de solidão para aprender sobre o resto de companhia
2017/02/11
"(...) começaram os outros a benzer-se e a rezar e levaram-me para uma cadeira onde me estenderam o crucifixo que tínhamos sobre a cómoda, e esperaram que deus, ou o peter pan, entrasse na minha vida com explicações perfeitas sobre o que sucedera. esperaram que a vida se prezasse ainda, feita de dor e aprendizagem, feita de dor e esperança, feita de dor e coragem, feita de dor e cidadania, feita de dor e futuro, feita de dor e deus e salazar."
A máquina de fazer espanhóis, Valter Hugo Mãe
Cap. VII, Herdar Portugal
2017/02/08
"- Aprendi também - disse Breuer -, ou talvez seja a mesma coisa, não estou certo..., que temos de viver como se fôssemos livres. Ainda que não possamos escapar do destino, temos que enfrentá-lo de cabeça erguida... temos que desejar que nosso destino aconteça. Temos que amar nosso destino. (...)"
Quando Nietzsche chorou, Irvin D. Yalom
2013/07/16
A eternidade sempre me pareceu tempo demais, eu nunca quis conhecê-la ou vivê-la... e "quem quer viver para sempre" buscando um futuro que precisa ser criado dia-a-dia? Eu gosto daqueles que fazem do "para sempre" o seu momento, que vivem sem receios e sem planos, que veem as oportunidades que o mundo lhes dá e não hesitam ao aproveitá-las. Aqueles que não têm para onde retornar quando é noite e que não se queixam por deixar passar por entre os dedos mais um dia porque sabem que não o deixaram escapar; aproveitaram cada segundo.
2013/02/16
2012/10/23
Maya
Dormir é pouco, eu quero é não acordar
Quero continuar vendo o mundo com olhos de sonhos
E, quando já for tarde, saber que tudo vai mudar
Quero saber que nada realmente importa, nem o medo nem a dor
Que o que vivo já nada tem a ver com o que passou
Que o horizonte tem a cor do que sinto
E o que sinto já não depende de ninguém além de mim
Quero ter a certeza de que controlo todos os meus atos
Exceto aqueles que por minha opção deixo ao acaso decidir
Quero viver a eternidade do que é belo e puro
Exercer a força de não me fechar ao mundo, nem tampouco hesitar
Sonhar um mundo de realidades
Criar um mundo onde os sonhos nunca tragam a dor dicotômica do não-sonhar
Onde sejam apenas uma ponte,
Um caminho incessante,
Para um belo horizonte
Da mais completa certeza do enfim realizar
2012/09/09
""É uma vigília de morte", Carl me disse calmamente. "Vou morrer." "Não", protestei. "Você vai vencer desta vez, assim como já venceu antes, quando tudo parecia sem esperança." Ele se virou para mim com aquele mesmo olhar que eu tinha visto inúmeras vezes nos debates e brigas de nossos vinte anos de trabalhos em conjunto e amor apaixonado. Com uma mistura de fino bom humor e ceticismo, mas, como sempre, sem nenhum vestígio de autopiedade, disse ironicamente: "Bem, vamos ver quem tem razão desta vez"."
Bilhões e bilhões, Carl Sagan
Epílogo (por Ann Druyan)
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